Quem Foram As Mulheres Contra a Ditadura

Quem foram essas mulheres?

Dinalva Oliveira Teixeira (1945 – 1974) foi uma guerrilheira do Araguaia. Integrou o movimento estudantil baiano, e trabalhou na guerrilha como professora e parteira. Depois de capturada, passou dias na prisão em tortura, até ser executada numa mata, com um tiro de frente, a seu pedido. Seu corpo nunca foi encontrado.

Iara Iavelberg (1944 – 1971) foi uma militante da guerrilha armada contra a ditadura. Conheceu o movimento na Universidade de São Paulo quando cursava graduação em psicologia. Integrou o movimento, tornando-se posteriormente companheira de Carlos Lamarca. Foi morta a tiros num cerco ao aparelho em que residia. O laudo médico afirmou “suicídio“, e só muito recentemente, por meio da Comissão da Verdade e do documentário “Em Busca de Iara”, a justiça brasileira reconheceu a causa da morte como assassinato.

Lígia Salgado Nóbrega (1947 – 1972) foi uma guerrilheira da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Estudava pedagogia na USP e integrou o movimento após o AI-5. Foi morta no pseudo confronto conhecido como Chacina de Quintino, quando tinha 24 anos, e estava grávida de dois meses. A polícia alegou que houve enfrentamento das pessoas, mas a ausência de pólvora na mão dos cadáveres descreditou a hipótese. Testemunhas alegam que Lígia se rendeu com as mãos na cabeça após a aproximação da polícia.

Ana Maria Nanciovic Correa (1947 – 1972) foi uma guerrilheira militante da Ação Libertadora Nacional e Grupo Tático Armado. Teve contato com os movimentos estudantis na Faculdade de Belas Artes da UFRJ. Foi morta a tiros num restaurante em São Paulo, no bairro da Mooca, junto com colegas, após o dono do estabelecimento os reconhecerem num aviso de busca.

Inês Etienne Romeu (1942 – 2015) foi a única militante que sobreviveu a Casa da Morte. Inês passou por diversas prisões, torturas e encarceramentos durante a ditadura. Foi peça chave para fuga, livramento e reconhecimento de alguns companheiros. Em 2003, foi encontrada caída e ensanguentada após o ataque de um marceneiro contratado, o que levantou suspeitas de vingança ainda contra o período ditatorial. Morreu dormindo, em casa, em abril de 2015.

Aurora Maria Nascimento Furtado (1946 – 1972) foi uma militante da ALN durante a ditadura. Trabalhou como bancária no Banco do Brasil, e após o AI-5, passou a viver na clandestinidade. Aurora teve seu nome envolvido em diversos assaltos realizados pelo grupo militante. Morta dentro da “Invernada de Olaria”, seu corpo foi encontrado na rua crivado de balas, com marcas de severas torturas, e entregue à família num caixão lacrado. Dentre as marcas, um corte do umbigo à vagina, seios já sem mamilos, fraturas externas e olhos fora da órbita.

Maria Auxiliadora Lara Barcelos (1945 – 1976) foi uma guerrilheira da VAR Palmares, que cometeu suicídio no exílio após diversas prisões e torturas no Brasil. Ingressou na faculdade de medicina de Minas Gerais, abandonando um anos depois para viver na clandestinidade, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi detida junto com um companheiro e um amigo, e levados ao DOPS para sessões de interrogatório e tortura. Foi exilada no Chile com outros presos para recuperação do embaixador suíço no Brasil. De lá, foi para o México, a Bélgica, e finalmente Alemanha Ocidental, onde passou em primeiro lugar no curso de língua alemã e continuou o curso de medicina. Ao saber do início das investigações de Berlim sobre ela e seu passado, teve o psicológico abalado, crises de amnésia, que culminou com seu suicídio, em junho de 1976.

Marilena Villas Boas (1948 – 1971) foi uma guerrilheira e estudante de psicologia da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. Entrou na clandestinidade após perseguição e passou a integrar o MR-8. Responsável pela morte do major que abordou a ela e o companheiro, foi levada ao DOPS e torturada até a morte com um tiro no pulmão. Seu corpo foi enterrado em caixão lacrado.

Heleny Guariba (1941 – 1971) foi uma guerrilheira, professora e produtora teatral. Estudou teatro na França e na Alemanha, e deu aluna no Teatro de Arena ao retornar. Foi presa em Poços de Caldas, sendo torturada e solta em 1971. Quando se preparava para deixar o país, foi presa novamente e desapareceu. Seu corpo nunca foi encontrado, e até hoje é dada como desaparecida política.

Dinaelza Coqueiro (1949 – 1974) foi uma militante contra ditadura e guerrilheira do Araguaia. Fez os estudos na Bahia, onde conheceu o movimento estudantil. Vista pela última vez em 30 de dezembro de 1973, ao ser interrogada, diz-se que cuspia e insultava os agentes policiais. Foi morta por agentes do CIEx, e seu corpo nunca foi encontrado. Até hoje é dada como desaparecida política.

Pauline Reichstul (1947 – 1973) nasceu em Praga, filha de judeus poloneses, e veio ao Brasil na primeira infância. Foi na Universidade de Genebra, na Suíça, onde passou a ter contato com o movimento dos estudantes brasileiros. Denunciava internacionalmente os crimes contra humanidade ocorridos no Brasil durante a ditadura. Sequestrada, como o esposo Ladislau Dowbor, foi torturada até a morte, e mesmo depois de devidamente identificado o corpo, Pauline foi enterrada como indigente.

Nilda Carvalho Cunha foi uma militante contra a ditadura, estudante secundarista e bancária. Aos dezessete anos de idade, foi presa no cerco que assassinou Iara Iavelberg. Sofreu todo tipo de tortura física, sexual e psicológica. Ao ser libertada dois meses depois, ficou cega e morreu em semanas, decorrente de delírios e perturbações psíquicas. A mãe de Nilda, Esmeraldina Carvalho Cunha passou a denunciar publicamente a objetivação política da morte da filha, e em alguns meses, foi encontrada morta em sua casa, enforcada por um fio de telefone.

Todo respeito a todas as mulheres que lutaram para que todos os direitos fossem garantidos.

Todas essas mulheres eram estudantes.

E essa aqui também é.

Foto por Marlene Bergamo.

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