Feminismo, a idéia radical de que as mulheres são gente!

Carine Santos compartilhou a foto de Mamatraca.

4 h ·

Mamatraca

23 de outubro às 09:55 ·

Da leitora Ana Paula Sabino:

"O machismo não teve que se apresentar para mim, ele estava lá desde que eu nasci e me entendo por gente, ele esteve nas histórias das minhas avós e na da minha mãe.

Ele estava na diferença dos tipos de brinquedos que eu e meu irmão ganhávamos e na diferença de como eramos tratados, não só pelos nossos pais. Era assim na minha casa e na casa de todas as minhas coleguinhas, que chance tínhamos nós contra a ‘ordem natural das coisas’? Ele estava nos programas de televisão, nas novelas, nas notícias, nos filmes, nas revistas, na publicidade direcionada para mim, não tinha internet naquela época, mas se tivesse ele com certeza estaria lá.

O machismo era naturalizado por piadas, muitas das quais eu ouvi na escola, da boca de professores, piadas contadas no seio familiar, por pessoas que eu amo e respeito. Como raios eu iria suspeitar de algo? Apesar de tantas conquistas importantes, das quais eu já estava usufruindo, ouvi falar do feminismo poucas vezes na minha infância e adolescência e ele era trazido para mim como algo ou de mulher mal amada, que não gostava dos homens ou de mulher que vive para trabalhar e não quer ter família.

Era assim, continua assim, mas agora eu passei para o lado da resistência!

Fora os abusos aleatórios de desconhecidos (e conhecidos) durante a puberdade e adolescência, o machismo me fez viver relações abusivas e sair delas totalmente arrasada, solitária e me sentindo culpada. O feminismo veio, se apresentou, me deu a mão e disse: Hei, A CULPA NÃO É SUA, você não está sozinha!

O machismo me fez acreditar que depois de ficar grávida, eu não teria mais valor ao perder os padrões estéticos que eu me encaixava, o feminismo me disse: HEI, VOCÊ É LINDA, NÃO IMPORTA COMO.

O machismo me disse como eu deveria gastar meu dinheiro com roupas, cosméticos e procedimentos para me encaixar em um padrão de beleza inatingível. O feminismo me disse: Gaste o seu dinheiro com o que TE FAZ FELIZ.

O machismo me disse que era essencial conquistar e manter o amor de um homem. O feminismo me disse que o mais importante é o AMOR PRÓPRIO.

O machismo me disse que as mulheres são inimigas naturais umas das outras e temos que estar sempre em competição. O feminismo me ensinou o que é SORORIDADE, e como isso é belo e poderoso.

O machismo me disse que eu não poderia expor minhas opiniões políticas, pois isso afastaria os relacionamentos. O feminismo me disse: TOCA O FODA-SE para caras que não te respeitam.

O machismo me disse que eu deveria ter vergonha de ser mãe solteira, o feminismo me dá o devido valor e força para aguentar essa barra e que só eu sei da minha história e que eu devo prestar contas apenas para quem paga as minhas contas, no caso, EU MESMA.

O feminismo me disse que eu posso e devo ter autonomia intelectual e financeira.

O machismo me disse que se eu casasse, eu teria que dar conta, com toda a ‘graça e beleza feminina’, de uma jornada tripla.

O machismo me disse, desde criança, que a louça na pia é obrigação minha, assim como seria a fralda de cocô.

O machismo quis me classificar com adjetivos do tipo ‘para casar’ ou ‘para pegar’ e quis me dizer como eu deveria me comportar para me classificar como um ser humano digno de respeito ou não, por eu ter nascido mulher. Se eu quisesse respeito eu não poderia ser gorda, gay, ter um cabelo natural, ser pobre (negra então…),ser nova demais, ser velha demais, ser alta demais, ser baixa demais, eu tinha que ser sexy e ‘bonita’, mas caso eu o fosse eu também poderia ser chamada de vagabunda.

O machismo me fez acreditar que eu poderia ser mercadoria ou objeto de qualquer coisa. O feminismo me fez enxergar toda ESSA INJUSTIÇA.

O machismo faz com que 1 em cada 5 meninas no mundo seja estuprada e faz com que todas vivam com medo. O feminismo vai em defesa de todas elas. Não importa a idade que elas tenham, sua cultura, suas atitudes ou a roupa que estavam usando, a culpa NUNCA É DELAS.

O machismo fez vítimas aqui pertinho de mim, na minha cidade. O feminismo me motiva a escrever cartas para essas meninas dizendo o quanto elas são importantes e tem potencial para tudo que elas sonharem. Duas delas querem ser veterinárias.

O machismo provavelmente fez a Valentina chorar e ficar com medo, ou com vergonha, achando que tem culpa de qualquer coisa. Assim como eu fiquei e todas as outras que passaram por algo semelhante. Mas o feminismo está aqui dizendo: HEI, VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA, A CULPA JAMAIS VAI SER SUA.

O feminismo não é uma roupa para se vestir ou um clube com carteirinha e certificado, o feminismo não tem dogmas ou discussões fechadas, mas não basta se dizer feminista para ser feminista. o feminismo precisa de respeito e maturidade para amadurecer, florescer e dar frutos.

Mas principalmente, ninguém precisa ter lido Simone de Beauvoir para parar essa psicopatia coletiva que vem sendo o machismo.

O feminismo é uma (des)construção diária, necessária e urgente.

PRECISAMOS DO FEMINISMO.
PRECISAMOS DO FEMINISMO.
PRECISAMOS DO FEMINISMO."

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