Encontro de Delegadas da 3a CONAES (2 – Ecosol e Feminismo)

Na segunda mesa do encontro de mulheres (ver primeira mesa aqui) Isolda Dantas, uma das convidadas, fala sobre o avanço que podemos ver nesta 3a Conaes ao pensarmos sobre nossa organização. Reforça que se a economia solidária quer destruir barreiras, opressões, e construir um mundo novo – isso é o mesmo que o feminismo quer. A economia solidária precisa ousar, avançar e incluir a vida das mulheres nas transformações.

Não haverá economia solidária sem feminismo e se houvesse, não avançaria em conjunto. O feminismo não exclui os homens. Queremos uma sociedade onde as mulheres possam ser livres e construir juntos/as.

As mulheres vão para o roçado, mas os homens não vão para a cozinha.

Nas reuniões, quando é para dividir o recurso, são os homens que organizam…

Existe uma dicotomia no trabalho. Tudo isso é fruto da divisão sexual do trabalho. Por que sofremos tanta discriminação nos trabalhos fora de casa? Porque ainda acham que nosso lugar é em casa. As mulheres cuidam da casa, do idoso, do doente… de toda a sociedade; e este trabalho é invisibilizado.

Economia feminista é trazer para o centro tudo que a gente faz que não é visível.

Ainda nesta mesa também foi destacado que o tema das mulheres é além de enconômico, também social: “Há alguém trabalhando demais e este trabalho não é visto”, foi uma das falas.

As delegadas foram provocadas a pensar: Como as experiências de economia solidária estão cuidando deste trabalho? Muitas vezes são as mulheres que levam as crianças para o trabalho. Como pedir que tenham a mesma produtividade que os homens, se têm que ao mesmo tempo trabalhar na economia solidária e cuidar das crianças por exemplo?

Em uma das experiências apresentadas, se no grupo havia homens que violentam mulheres, este não ganhava o sêlo. A violência é um problema público.

Nilsa, da Cooperativa de Mulheres Unidas Venceremos complementa dizendo que a luta para a erradicação da violência contra as mulheres tem quer ser tema central das discussões, porque ainda é muito forte.

Como na primeira mesa, em seguida a plenária pôde se inscrever para intervir na discussão. Abaixo algumas expressões/idéias escritas a partir das falas da plenária.

plenaria1-1odia

Uma plenária de mulheres que antecede uma conferência, é um espaço de formação também.

A economia solidária precisa de investimento e somos nós que temos que correr atrás dele. Precisamos estudar, precisamos conhecer como.

Pra gente das comunidades quilombolas e indígenas, a economia solidária não é uma “nova” economia… já a praticávamos em nossas culturas há muito tempo atrás.

É preciso se ter um olhar diferenciado para como a ECOSOL acontece junto as mulheres indígenas.

Também é importante lembrar das mulheres da agroecologia.
“Não adianta uma planta limpa de agrotóxicos mas suja com o sangue das mulheres.”

Também não podemos esquecer nosso pertencimento. Não esquecer o ponto de partida.

Mudar um paradigma demora muito. Quem gera estes homens somos nós! Temos que desconstruir para construir uma nova educação.

A juventude precisa ser trabalhada. A ECOSOL precisa ser levada a todos os lugares. Os jovens nas escolas precisam saber o que é solidariedade. Só comercialização não é solidariedade. A responsabilidade é nossa.

plenaria2-1odia

Por que os homens não “maneram” no machismo? Homem: Quando você casar não terá uma empregada não! E quando chegar a noite em casa, tem que dividir as tarefas. 
Precisamos que vá uma força para os estados e municípiospara nos ajudar lá.

Voltando à mesa, Nelsa diz que as falas da plenária nos mostram como será a Conaes. Por muito tempo nos disseram onde deveríamos estar, mas estamos construindo um novo modelo.

Mas ainda há poucas mulheres da economia solidária na gestão. Precisamos continuar ocupando os lugares, fazer diferença. Assim faremos uma sociedade cada vez melhor. Somos donas do nosso trabalho e do nosso destino.

Outras falas se direcionaram à importância da relação do governo com o movimento. Mas que a economia solidária precisa se organizar para fazer pressão sobre o governo, e este, tem que estar aberto ao diálogo. Por isso a necessidade da Reforma Política também para termos mais mulheres no congresso. Queremos 50% de lista alternada, é assim que tem que ser. E temos que saber em quem estamos votando. Votar em mulheres mas não só porque é mulher. Votamos na Dilma também porque fez várias políticas para mulheres.

É importante que as mulheres se unam. Existem questões que temos que abrir mão em nome de questões maiores.

Anúncios