Veja a relação [SL]

“Não tem como descrever a sensação… é como se você estivesse dirigindo a 120 KM/h na Imigrantes… e derrepende entrasse na serra aquaplanando. É mais ou menos assim. Você perde completamente o controle. Se sente inseguro, não entra mais no netbanking para ver sua conta bancária, vê um monte de avisos coloridos pulando na tela sem serem convidados e fica com tendinite de tanto usar o mouse.”
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Adorei todo o texto. Não conhecia o blog. Nesta parte acima comecei a rir! Rir por identificação, porque é exatamente o que sinto. Adorei a metáfora do carro, perfeita. E também sobre os avisos. Vez ou outra tenho que pegar computadores emprestados e geralmente estão com windows, aí é isso – um monte de janelinhas pipocam toda hora, que coisa infernal, pra não dizer outra coisa. Na hora dá vontade de… sei lá! hehe. É exatamente isso. É capaz de você ficar com tendinite de tanto fechar janelinhas. 😀

Depois de acostumar com o linux (uso ubuntu), mesmo como usuária básica, você se acostuma com a liberdade de simplesmente fazer suas coisas tranquilamente. A gente vai se acostumando com o que traz qualidade pra nossa vida acho. E acho que o contrário também acontece. As pessoas também se acostumam com coisas irritantes, desnecessária de ter na vida, mas porque não conhecem o outro lado, porque acaba virando “normal”…

Isso me lembrou um momento da minha infância… alguns, mas este específico já exemplifica. Quando eu era criança, na nossa “casa da roça”, como chamávamos, não tinha banheiro. A gente sempre tomou banho num banheiro improvisado, esquentando a água no fogão (a lenha), depois colocando em um balde e “banhando” de canequinha. 🙂 Pra mim, como criança, lembro que sempre achei isso normal. Não me incomodava, não me fazia falta outra coisa diferente – já que nunca tinha visto a roça de uma maneira diferente, só desta. Então pra mim isso “estava dado, e era assim e ponto!” Nem se é bom, nem se ruim, nem se poderia ser diferente ou não, nada! Nada a se pensar a respeito!

Mas já adulta, militante, pensando a respeito foi que comecei a observar o fato sob outros ângulos (agora adulta, me foi dado o estímulo e a oportunidade de usar outros ângulos pra olhar)… um deles, claro, o do acesso. Muitas pessoas não têm acesso a isso, não têm banheiro, a água é escassa… então o banho de canequinha “é o que se tem pra hoje” 🙂 (como diz uma amiga minha). Mas agora consigo pensar diferente (no mundo corporativo as vezes chamam isso de “pensar fora da caixinha” ne? :)), consigo pensar que isso não é “normal”, não “está dado e ponto!”… algo pode ser feito sim, há muito o que se conversar a respeito sim… por exemplo: porque quase ninguém aqui tem acesso a um banheiro que dê mais qualidade de vida? O que pode ser feito? Quais são xs implicadxs na resolução deste problema?… E várias outras questões, mas o ponto aqui é: A PARTIR DO MOMENTO EM QUE EU TOMO ‘CONSCIÊNCIA’ (que pra mim não é só saber algo, é saber algo, é se importar com àquilo de verdade) DA EXISTÊNCIA DE OUTROS “ESTILOS” DE VIDA (ou seja, quando tenho estímulo e oportunidade de experimentar, entender, vivenciar novas experiências), COMEÇO A ENTENDER O QUANTO EU NÃO ERA FELIZ E NEM SABIA! 🙂

Claro que existem diversas situações que não dependem só da nossa vontade pra se modificarem, mas neste caso estou falando das que dependem. E aí entra a que quero chegar que é, mudar o computador de um sistema proprietário para um livre. Muitas vezes esta decisão depende puramente da nossa vontade de tentar, de buscar algo que pode ser melhor. O mesmo para quem quer deixar de tomar refrigerante, ou começar a ler mais, ou etc etc etc (lembrando sempre que estou falando de situações em que “a vontade” é o único fator para se iniciar a mudança, não entram aqui fatores como desigualdades sociais ou quaisquer outros complicadores).

É começar a entender que existem outras possibillidades melhores, e que mesmo que eu tenha que passar por um período mais complicado, que bagunce temporariamente o ritmo habitual da minha vida (COMO O TEMPO EM QUE VOU TER QUE LIDAR COM O PÓ, COM A BAGUNÇA, COM O BARULHO E OS DEMAIS PERCALSOS DE SE TER UMA OBRA, COMO A CONSTRUÇÃO DE UM BANHEIRO, DENTRO DE CASA), vai valer a pena porque depois vou ter mais qualidade de vida, novas visões de vida… e as vezes, mais coerência com os princípios de vida que quero pra mim e, que busco fomentar. Tudo está interligado.

Obrigada pelo texto Fábio, e pelas lembranças que ele me trouxe. 🙂

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