Roda de Conversa 12/1/11

O que? Relato da Roda de Conversa
Onde? CAL
Quando? 12/1/11
Presentes: Chico , Jovatas , Juliana , André, Tiago, Cristina, Calibério, Diguilim , Camila, Delano, Jailson, Anderson Fogo, Luciana, Aldilei, Charlotte, Aldineia.

Início da roda de conversa: 19h30


  • Todos receberam a letra da música “Baião da Comunidade” e foi pedido que ao usá-la para cantar, o grupo a observasse sob o seguinte ângulo: Se cada um, de acordo com a realidade que conhece e que quer mudar, estivesse escrevendo uma música com um tom de convite (mais ou menos como esta) como seria? Que pessoas convidaria? De que forma? Pra que?

Em círculo no meio da sala todos cantaram com a letra na mão e ao fundo o som da música.

BAIÃO DAS COMUNIDADESZé Vicente

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SOMOS GENTE NOVA VIVENDO A UNIÃO

SOMOS POVO SEMENTE DE NOVA NAÇÃO (IÊ, IÊ)

SOMOS GENTE NOVA VIVENDO O AMOR

SOMOS COMUNIDADE POVO DO SENHOR (IÊ, IÊ)

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Vou convidar meus irmão trabalhadores

Operário, lavradores, biscateiro e outros mais

E juntos vamos celebrar a confiança

Nossa luta na esperança de ter terra, pão e Paz (iê, iê)

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Vou convidar os índios que ainda existem

As tribos que ainda insistem no direito de viver

E juntos vamos reunidos na memória

Celebrar uma vitória que vai ter que acontecer (iê, iê)

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Convido os negros irmãos no sangue e na sina

Seu gingado nos ensina a dança da redenção

De braços dados no terreiro da irmandade

Vamos sambar de verdade enquanto chega a razão (iê, iê)

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Vou convidar Conceição e Ana Maria

A mulher que noite e dia Nutre e faz nascer o amor

E reunidos no altar da liberdade

Vamos cantar a verdade

Vamos pisar sobre a dor (iê, iê)

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Vou convidar criançada e juventude

Tocadores me ajudem vamos cantar por aí

O nosso canto vai encher todo o país

Velho vai dançar feliz quem chorou vai ter que rir (iê, iê)

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Desempregados, pescadores desprezados e os marginalizados

Venham todos se ajuntar

à nossa marcha para a nova sociedade

Quem nos ama de verdade pode vir tem um lugar (iê, iê)


  • Logo depois, já sentados em roda, a pauta da roda foi apresentada e logo depois todos receberam uma fichinha com duas perguntas para responder:
O que é a Escola de Educação Popular pra você?Como o trabalho da escola influencia nas suas ações enquanto grupo?

Escreva de forma sucinta.

____________________________________________________________

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Depois cada um se apresentou e leu as respostas dadas pel@ colega sentad@ a esquerda. As respostas dadas foram as seguintes [ falta complementar ]:

    • Pra mim a escola é xxx, e xxx.
    • Pra mim a escola é xxx, e xxx.


  • Passamos então para uma contextualização histórica do momento que a Recid passa (descrita de forma bem sintetizada abaixo):

Começamos com a história do Frei Betto, que levou à frente a idéia das familias que recebem o bolsa família também obtivessem “cidadania” e assim criou-se a “Rede de Educação Cidadã”, que veio trabalhar com educação popular.

Na decada de 60, Paulo Freire, Ariano Suassuna e outros educadores iniciaram então este trabalho com educação popular.

O trabalho da Recid, baseado neste, vem fomentar a visão crítica das pessoas que começam a perceber como vivem em situação de opressão. Como dizia Paulo Freire, só quando estas familias assumissem seu papel de protagonistas é que poderiam mudar sua realidade.

Paulo Freire começa a trabalhar em PE, embaixo de pés de juazeiro.

Quando Jango assume o governo, assume também Paulo de Tarso que chama Paulo Freire – na perspectiva de trazer os chamados círculos de leitura – mas Paulo Freire sofre a repressão da ditadura militar de 64.

Quando Erundina entra no governo de SP, chama Paulo Freire para atuar como secretário de educação. E este momento nos traz o tema central desta roda de conversa: Como a educação popular pode ser a base de políticas públicas?

Paulo Freire propõem que em todas as ações do governo os princípios da educação popular fossem representados. Ele assume a secretaria com este trabalho.

A RECID tem esta história que vem desde 93, tem um PPP que diz claramente os princípios que norteiam a ação política da rede como por exemplo, a clara intenção política; ações que partem daqueles que estão em condição de opressão; entre outras.

Agora em 2011 a RECID foi procurada pela SEDEST, que antes tinha uma atuação diferente do que a RECID propõe em seu trabalho. A RECID foi chamada para fazer a coordenação pedagógica de um projeto em um convêncio junto a SEDEST e a outras secretarias, programas (um trabalho transversal, lembrando a proposta de Paulo Freire no governo Erundina).

Sendo assim, temos o desafio de pensar na EP orientando políticas públicas. Pensar também em como trabalhar a educação popular na ligação dos movimentos populares com o governo e sendo parte dos dois.

No primeiro planejamento da RECID de 2010 foi proposta a criação desta Escola de Educação Popular em que estamos e que construímos conjuntamente. Realizamos dois módulos e estávamos com o objetivo de construir o 3o módulo, mas com esta nova demanda da SEDEST (que é algo bem recente para todos), a RECID veio colocar para a aprovação do coletivo da escola, presente na roda anterior (7-1-11), se havia o interesse da escola também participar do processo de reflexão e construção desta coordenação pedagógica junto a SEDEST. Foi consensuado que sim.

Esta proposta nos traz a um momento histórico. Além do grande desafio.

Na roda anterior nós enquanto escola também nos propusemos a participar do seminário “Educação Popular orientando a construção de políticas públicas” que acontece no próximo fim de semana (15-16/1/11).


  • Em seguida foi lido o texto do convite para o seminário e a sua programação, que teve alguns momentos descritos com maior detalhamento:

No dia anterior a esta roda a Recid soube que Chico Machado seria a 5a pessoa a compor a mesa do seminário. Ele vai participar da coordenação do orçamento participativo da Secretaria. Além dele, também Pedro Pontual foi convidado a fazer parte da mesa, ele aplicava em Embú das Artes a metodologia da EP para trabalhar o orçamento participativo.

O seminário vai ter 4 momentos, um deles a mesa que ao final contará com a participação do Antonio Gouveia, Guadalupe, Arlete Sampaio, Maria Abadia e o Chico Machado.

A estrutura do seminário vai ser no primeiro momento (sábado de manhã), uma apresentação qualificada de cada movimentos – 10 minutos de apresentação para cada.

No sábado a tarde haverá um trabalho em grupos onde falaremos sobre “Avanços, contradições e possibilidades (do que é feito e do que pode ser feito) nas políticas públicas e no trabalho de base dos movimentos sociais”. A idéia é que cada grupo refleta sobre este tema em diálogo com suas próprias experiências. Depois os grupos apresentam suas considerações e é aberto um debate.

No domingo de manhã, ainda em grupos, serão feitas propostas de ação. Com a produção deste material será feita a síntese das discussões.

Como imagem para o seminário podemos lembrar da alavanca que faz o jogo Pinball (da época dos fliperamas) começar, pois a função dela é a mesma deste seminário: colocar a bola em jogo.

A idéia é que consigamos trabalhar com 40 pessoas, representantes de grupos sociais. Assim poderemos colher o máximo possível de representitatividade.

Neste momento foi lembrando entre os presentes que roda passada já havíamos falado também do caráter inicial deste seminário e que iríamos nele também para saber melhor como participar. E também que a roda de hoje foi marcada com a intenção de começarmos a conversar sobre como a escola vai participar deste espaço.


  • Após a conversa sobre o seminário, avançamos para o próximo ponto da pauta. Foi apresentada a próxima dinâmica de trabalho onde os presentes seriam divididos em 3 subgrupos (eram 17 ao todo), com 30 minutos para discutir sobre o tema da roda: Como a EEP pode interagir com este desafio proposto pela SEDEST? A discussão deveria ser sintetizada em cada subgrupo que depois faria a apresentação para o grupo maior e a partir daí seriam tirados os primeiros acordos e demais pontos que irão compor a base das primeiras conversas sobre o tema, feita pelo grupo da escola. Alguns dos pontos levantados pelos 3 grupos foram [Falta complementar/confirmar. Pegar a síntese com cada relator de cada grupo]:

Apresentação do grupo 1: Começou contextualizando os primeiros passos da secretaria e onde a Recid começou a se envolver. Um primeiro passo comentado foi fazer uma revisão geral sobre quem recebe quais benefícios. Pensando nisso, surgiu a proposta de:

    • Fazer uma reflexão sobre a necessidade de trabalhar os princípios da educação popular desde o momento do diagnóstico e do recadastramento. Por exemplo, se uma família recebe algum benefício em duplicidade, não deve simplesmente parar de receber sem nenhuma explicação, em todos os momentos deve haver um processo formativo tendo como base os princípios da EP. Trabalharíamos um curso de EP também para os agentes do diagnótico.
    • Aproveitar os agentes que já atuam nos programas sociais e já têm contato com a comunidade.
    • Outro curso com a mesma linha do da escola também poderia ser realizado junto aos agentes que vão fazer o recadastramento.

    Apresentação do grupo 2: Fez uma análise a respeito da proposta toda.

      • A idéia é conhecer a plataforma da secretaria e as politicas publicas que estão articuladas.
      • Difundir as informações. A escola enquanto rede não precisa se limitar a participação só no convênio.
      • A escola pode vir a fazer esta formação de agentes que vão atuar com a parceria junto a SEDEST. Isso com os agentes que estão na ponta junto as comunidades.
      • A equipe dos 32 CRAS deve estar capacitada, o profissional que está na ponta deve entender o que está sendo falado. O elemento aqui é o trabalho com os agentes.
      • Verificar abordagem com públicos de média e alta complexidade também. Verificar a política de assistência social.
      • A questão das transversalidade entre as secretarias.
      • Tem a transversalidade entre as secretarias (saúde, educação, esporte…) e também entre os programas.
      • Pensar em como os movimentos sociais da EEP possam dar suporte nas comunidades onde atuam.

      Apresentação do grupo 3:

        • Contribuir no processo de capacitação dos agentes sociais/educadores populares .
        • Contribuindo para a re-articulação dos núcleos existente e formação de novos núcleos. Onde os movimentos estiverem contribuirem.
        • Contribuindo na elaboração da proposta do convênio Recid/Sedest,levando o acúmulo metodologico da eep pno processo.
        • Contribuindo para a transformação da concepção de “assistencia social” em ação social emancipatória.

        • Depois da apresentação de cada subgrupo, partimos para a discussão do tema no grupo maior. Abaixo a síntese das falas coletadas:

        Proposta: Que as falas sejam na articulação das propostas, apresentadas pelos subgrupos, com o produto que precisamos.

          • Algo fundamental que está sendo consensuado é que a escola possa contribuir para a formação dos agentes sociais/educadores populares do convênio. E que a escola é uma fonte de pesquisa e formação metodológica neste processo.
          • Como proposta da escola, vimos a idéia da aplicação dos princípios com os quais trabalhamos em todas as ações da SEDEST. Também vemos a necessidade de mapeamento da estrutura da secretaria para entendermos do que estamos falando – que estruras existem, quem são estes agentes, etc. Desta forma teremos material para formular nossa proposta. Também precisamos pensar em como fazer para que a atuação do convênio não se torne a única ação da escola.
          • Concordando/complementando a fala anterior, é necessário continuarmos tendo o espaço da escola para continuar trabalhando com os movimentos sociais.
          • A Recid também sugeriu uma pesquisa participante.
          • Pensando em um consenso, entrando na proposta do grupo 1, é necessário conhecermos para difundirmos. Quando formos fazer o diagnóstico, a EEP pode construir junto com a SEDEST.
          • Poderíamos criar uma estrutura de organização onde os movimentos estabeleçam uma cultura de diálogo entre as ações desenvolvidas nos movimentos.
          • Há também a necessidade de definirmos os princípios que norteiam a escola (para além dos princípios da EP) – principios de atuação da EEP.
          • Também podemos tomar como exemplo outros projetos existentes, pesquisar.
          • Não podemos perder a visão do processo como um todo. Uma demanda que surgiu aqui é um levantamento da estrutura do SEDEST, que não poderemos fazer. O seminário também vai trazer muitas informações que vão nos ajudar a pensar.
          • A secretaria vai fazer uma apresentação no seminário, aproveitemos para conhecer mais a secretaria – uma das nossas demandas. Também precisamos ser pró-ativos, como por exemplo, descobrir mais sobre as outras políticas de assistência social.
          • Concordando com a visão da escola como um grande espaço para formação dos agentes. No 4o momento do seminário acho que conseguiremos produzir muita coisa também. Talvez poderíamos encaminhar daqui, o que tiramos da discussão em termos de estrutura.
          • Precisamos de mais materia prima para pensar em propostas.
          • Pensando nesta visão do trabalho dentro de núcleos, é preciso fazer com que o governo possa trabalhar para que estes núcleos se desenvolvam. É preciso uma “transferência de tecnologia” que permaneça para além do tempo do convênio, inclusive para o desenvolvimento continuado dos movimentos sociais.
          • Colocar que queremos trabalhar o diagnóstico e a análise em conjunto com eles.
          • Ver se a EEP pode dizer que a proposta colocada no seminário precisa voltar para os movimentos antes de qq coisa.
          • Hoje a organização da assistência social é territorializada. Existe um trabalho já com os usuários da assistência social que tem inclusive cartilhas que orientam os agentes. É preciso conhecer a temática, os conceitos e o que está sendo proposto pela politica de assistencia social para trabalhar em conjunto. Ver o que já existe de propostas com jovens, idosos, etc. A EP tem que estar alinhada com as politicas de assistencia social.
          • O CRP e o CREAS também têm cadernos de orientação especifica.
          • Relembrando que o relato desta reunião vai ser a base para a apresentação do seminário.
          • A idéia é que alguém que está desde o início e que conheça a história da escola se candidate a apresentar a escola e nossa sintese.
          • É importante envolver pessoas que tenham conhecimento de causa neste sentido.
          • Que a pessoa tenha em si a memória do processo da escola, desde sua concepção.

          • Neste momento houve uma pequena discussão sobre quem representaria a escola (a idéia inicial é que o seminário tivesse 40 convidados, sendo um representante de cada movimento ou órgao público presente para obtermos maior representatividade). Tiago foi escolhido como primeiro representante da escola no seminário e a Cristina como segunda representante. Lembrando que mais uma ou duas pessoas da Recid que estarão presentes no seminário também podem auxiliar no que for preciso.

          • Continuando as dicussões, entramos em outras pautas:
            • Foi lembrado que não é permitido entrar no local onde acontecerá o seminário de bermuda e que para a inscrição no mesmo é preciso enviar nome e RG para escolaeducacaopopular@gmail.com
            • Ficamos com a intenção de marcar uma nova roda de conversa para depois do seminário. O objetivo desta roda não era sobre o seminário e suas demandas específicas e sm sobre a montagem do 3o módulo.
            • No entanto foi lembrando que o momento nos trouxe uma pauta que pode ser interessante e não é bom dar uma pausa nesta discussão do seminário por causa do módulo.
            • Além disso o 3o módulo pode acabar ficando para tratarmos justamente do tema do seminário, é algo que precisaremos combinar depois.
            • Lembretes: A EEP pode ter rodas de conversa sempre que houver demanda e qualquer um pode convocá-las (e sempre uma roda marca a próxima). E sobre o convênio, se a escola não avançar neste processo a RECID vai continuar sozinha.

            • Ficou marcado que a próxima roda de conversa foi marcada então para a próxima segunda, dia 17-1-11, a princípio na CAL mesmo e no mesmo horário (Chico vai confirmar).
            • Também neste mesmo dia, o mesmo grupo que organizou esta roda vai se encontrar as 9 horas no Vida e Juventude com o mesmo propósito (preparar o instrumental para esta nova roda de conversa).

            • Após estes acordos encaminhamos para o encerramento da roda desta noite. Todos novamente em círculo no centro da sala receberam o poema “Pensamentos são coisas” e foi pedido que primeiro fosse feita uma leitura individual em silêncio, escolhendo algumas frases marcantes. Depois foi feita uma leitura em conjunto, onde no momento em chegasse a hora de ler a frase escolhida, todos que a escolheram também a lessem em voz alta junto.
            SOMOS GPENSAMENTOS SÃO COISASJames Allen

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            Assim como pensas, assim andas, assim caminhas.

            Assim como amas, assim atrais.

            Tú estás, hoje, onde os teus pensamentos te trouxeram;

            Tu estarás, amanhã, lá onde os teus pensamentos te levarem.

            Não podes escapar dos resultados dos teus pensamentos,

            Mas podes suportar e aprender, podes aceitar e te regozijar.

            Realizarás a visão (não os sonhos tolos) de teu coração,

            Seja baixa, seja bela, ou ainda a mistura das duas;

            Pois tu sempre gravitarás em torno daquilo

            Que secretamente mais amas.

            Em tuas mãos será colocado o exato resultado dos teus pensamentos.

            Vais receber aquilo que mereces, mas não mais, não menos.

            Seja qual for o teu ambiente atual,

            Cairás, permanecerás ou te erguerás com teu pensamento,

            Com tua visão,

            Com teu ideal,

            E te tornarás, então,

            Tão pequeno quanto o desejo que te controla,

            Ou te tornarás

            Tão grande quanto a aspiração que te domina. 🙂

            • Depois houve a dança de uma ciranda (“Pra se dançar ciranda, juntamos mãos com mãos…”), lanche e despedidas. 🙂

            Término da roda de conversa: + ou – 23hs.

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